Violência Epistêmica Algoritmica: Fundamentos Teóricos e Éticos de uma IA Decolonial
DOI:
https://doi.org/10.71101/rtp.58.952Resumo
Este artigo propõe o conceito de “violência epistêmica algorítmica” como categoria analítica para nomear as consequências estruturais dos sistemas de IA generativa quando aplicados a domínios de conhecimento especializado. Partindo da genealogia do conceito de violência epistêmica em Spivak e de sua articulação com as epistemologias do Sul de Santos, demonstramos que os grandes modelos de linguagem produzem violência epistêmica algorítmica por uma política de corpus naturalizada como dado técnico neutro, e não por acidente ou por limitação técnica corrigível: sistemas treinados em corpora não criticamente curados reproduzem, em escala industrial, as assimetrias epistêmicas que os constituíram. Identificamos quatro modalidades dessa violência (alucinação bibliográfica, atribuição deslocada, tradução sem aviso e violência contra o sujeito que aprende) e demonstramos sua operação no domínio psicanalítico, em diálogo com a tradição crítica de estudos sobre algoritmos e raça. Fundamentamos o corpus verificado como primeira resposta ética e condição material para que a relação homem-máquina não reproduza a violência que diagnosticamos. Apresentamos o PhDSapiens, baseado na digitalização e estruturação de mais de 1.600 textos tanto psicanalíticos quanto anticoloniais e antirracistas, visando mediação epistêmica em domínios de conhecimento especializado.
