A esperança fora da norma: tendência antissocial e agressividade como denúncia à normatividade escolar
DOI:
https://doi.org/10.71101/rtp.57.938Resumo
Este artigo objetiva discutir como a escola, inserida na lógica neoliberal, pode operar como aparelho ideológico que reforça exclusões com base em raça, classe e gênero, produzindo desamparo e segregação. A análise fundamenta-se em materiais empíricos construídos a partir de diários de campo com relatos de experiências de três projetos distintos de extensão e pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro. As atividades ocorreram em instituições de educação formal — escolas municipais de primeiro e segundo segmentos —, no recreio escolar, e em um espaço de educação não formal — um pré-vestibular comunitário. Em diálogo com a psicanálise winnicottiana, especialmente os conceitos de agressividade e tendência antissocial, e com apoio da literatura, com o livro O avesso da pele (Tenório, 2020), argumenta-se que comportamentos considerados desviantes podem ser compreendidos como pedidos de reconhecimento e de provisão ambiental. Conclui-se que, em vez de medicalizar ou excluir essas expressões, é possível manejá-las como manifestações de esperança, abrindo espaço para a construção de vínculos e pertencimento por meio do enlaçamento social desses sujeitos.
Palavras-chave: tendência antissocial, normatividade escolar, exclusão escolar, neoliberalismo, esperança
