O Saber-Fazer na errância d'alíngua
DOI:
https://doi.org/10.71101/rtp.57.792Resumo
A psicanálise de Jacques Lacan deu continuidade à subversão da clínica que Freud havia iniciado com a descoberta do inconsciente. Com o recurso à linguística e os aforismas “o inconsciente é estruturado como uma linguagem” e “o inconsciente é o discurso do Outro”, o ensino lacaniano provocou torções no conceito de inconsciente e reconduziu a experiência analítica à experiência de linguagem do projeto freudiano. A teoria do significante permite importantes interfaces com a arte e com a criação, e enfatizamos aqui a criação poética de Octavio Paz para pensar os problemas da linguagem na escuta clínica, atenta aos deslizes, aos atos falhos, às tramas do discurso, mais do que à linearidade da significação. A criação poética permite pensar sobre a eficácia do dispositivo analítico, pautada em uma atenção que flutua e intervém pelo corte e não pela continuidade. Recorrer ao savoir-faire com a língua dos poetas pode fornecer boas indicações aos psicanalistas em sua escuta?
Palavras-chave: psicanálise, linguagem, significante, poesia
