No meio do caminho tinha uma cidade: a rua como cenário das primeiras escutas psicanalíticas
DOI:
https://doi.org/10.71101/rtp.57.780Resumo
Partindo das concepções de Freud acerca do compromisso social da Psicanálise, diversos coletivos formados por psicanalistas experientes têm organizado e conduzido intervenções nas ruas, em diferentes locais do país, visando fornecer uma escuta acessível a todos que transitam pelas vias públicas. Com o mesmo objetivo, um grupo formado por acadêmicos de Psicologia, dois professores da área de Psicanálise de uma universidade pública do sul do Brasil e um psicólogo voluntário deparou-se com a seguinte indagação: seria possível a um grupo de estudantes de Psicologia, sob supervisão, frente ao desejo de escutar a/na rua, organizar-se em um dispositivo de escuta na abordagem psicanalítica em uma praça? Tendo em vista estas considerações, o presente trabalho apresenta um relato de experiência sobre a construção do Coletivo Escuta na Rua – uma ação de extensão universitária em funcionamento desde 2019. A partir de uma reflexão sobre o percurso da equipe que compôs a primeira edição do projeto, o relato propõe uma intersecção entre literatura e psicanálise, tecendo um diálogo com o livro As Cidades Invisíveis, de Ítalo Calvino. A análise da trajetória aponta para os encontros e desencontros entre o desejo de escutar dos estudantes e o desejo de escuta da comunidade, bem como para as singularidades de um setting psicanalítico pautado nas interações entre o coletivo e a cidade.
Palavras-chave: Escuta na rua; Psicanálise; Formação em Psicologia; As Cidades Invisíveis; Ítalo Calvino.
