Exu e a psicanálise: da culpa à ilusão

Autores

DOI:

https://doi.org/10.71101/rtp.54.748

Resumo

Muito embora psicanálise e religião não se confundam, o pensamento religioso perpassa boa parte da obra freudiana. Trata-se, no entanto, de uma concepção religiosa que tem como centralidade a culpa, uma vez que se articula ao paradigma neurótico e à morte do pai, sendo considerada como uma ilusão análoga à fantasia neurótica. Assim como outras configurações subjetivas provocam a psicanálise na contemporaneidade, as religiões de matriz africana, tal como o candomblé, também provocam a psicanálise e a experiência analítica, posto que se distanciam da centralidade da culpa. O objetivo do artigo consiste em abrir os caminhos para uma discussão ainda incipiente entre a psicanálise e o candomblé e, para tal, parte da figura de Exu, mais especificamente assinalando o lugar plural da corporeidade e das fronteiras com o mundo. Por fim, em diálogo com algumas considerações de Winnicott, a ilusão é tomada não como análoga à fantasia neurótica, mas como um campo de potencialidades que comportam a atualização do passado, do presente e do futuro e a corporeidade. Delineiam-se, a partir dessas considerações, alguns questionamentos que o candomblé implica para a própria experiência analítica.

Biografia do Autor

Thais Klein, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Psicanalista, doutora em Teoria Psicanalítica (PPGTP-UFRJ), doutora em Saúde Coletiva (IMS-UERJ), membro do Núcleo de Estudos em Psicanálise e Clínica da Contemporaneidade (NEPECC-IPUB-UFRJ), membro do Grupo Brasileiro de Pesquisas Sandor Ferenczi e professora adjunta do departamento de psicologia da Universidade Federal Fluminense (polo Rio das Ostras).

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Publicado

09-12-2022

Como Citar

Klein, T. (2022). Exu e a psicanálise: da culpa à ilusão. Revista Tempo Psicanalítico, 54(2), 514–534. https://doi.org/10.71101/rtp.54.748

Edição

Seção

Volume 2