O desamparo e as respostas do sujeito: uma leitura do texto freudiano “A negação”
DOI:
https://doi.org/10.71101/rtp.57.682Palavras-chave:
negação, Freud, estrutura clínica.Resumo
O presente artigo visa discutir o texto freudiano de 1925, “A negação”, situando três diferentes níveis para pensar a negação: no discurso em análise, endereçado ao analista; na estrutura clínica (neurose, perversão e psicose), como efeito de modos de negação; na estrutura da linguagem, fundamentada em um hiato. Trata-se, pois, de uma investigação teórica de cunho psicanalítico e, nesse percurso, conceitos fundamentais da psicanálise são trabalhados em sua relação com a negação constitutiva da estrutura da linguagem e com a negação constitutiva das estruturas clínicas. Conclui-se, por um lado, que a noção de negação é fundamental para o alicerce teórico freudiano, nos diferentes níveis em que se apresenta, sendo importante diferenciá-los para que não se perca o rigor teórico na passagem de um ao outro. Por outro lado, a noção de negação é importante para a direção da prática clínica psicanalítica, uma vez que o processo de uma análise se faz pelo atravessamento do mecanismo de negação, por meio do vislumbre de algo do negado e da invenção de modos de manejo que ultrapassem a posição ética/epistemológica primordialmente adotada como negação da castração.
Palavras-chave: Negação; Freud; estrutura clínica.
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